sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Luís Pinheiro tomou posse na Assembleia Municipal Manuel Marques é o novo vice presidente da Câmara




- Isaura Pedro promete respeitar o direito ao contraditório político e à informação, por parte da oposição

Foi no passado dia 23 de Outubro, que teve lugar no auditório do multi-usos de Nelas, a cerimónia de tomada de posse dos novos membros da Assembleia Municipal e Câmara Municipal, eleitos na sequência do sufrágio autárquico de 11 de Outubro. Sem dúvida que o grande destaque vai para a tomada de posse de Luís Pinheiro, o reeleito presidente da Junta de Canas, pelo Movimento de Restauração de Canas a concelho, que dá assim mais um importante sinal de completa pacificação das relações com o município de Nelas, pois em 2001 não chegou sequer a tomar posse. Ao nosso jornal o autarca não confirmou entretanto se irá marcar presença nas reuniões da Assembleia Municipal, dizendo-nos que esta situação “está ainda em aberto”. Tomaram ainda posse mais dois Canenses – Aires dos Santos (PS) e Alexandra Pinto (PSD/CDS-PP). Ou seja, há muito não se via uma participação Canense tão activa nos órgãos municipais. Foram assim eleitos para o órgão deliberativo do concelho, 21 deputados municipais por sufrágio directo (13 do PSD/CDS-PP ; 5 do PS ; 2 do MPT e 1 do PPM) e ainda os 9 presidentes de Junta, que têm assento por inerência neste órgão – ou seja temos um total de 30 membros da Assembleia Municipal. Apenas Eurico Amaral, eleito pelo MPT, não tomou posse.
Este órgão tem competências muito importantes, muito embora sejam muitas vezes esquecidas.
Além da fiscalização e acompanhamento permanente da actividade da Câmara Municipal, estas são algumas das suas principais funções :

Aprovar o plano de actividades e o orçamento, bem como as suas revisões;
Aprovar anualmente o relatório de actividades, o balanço e a conta de gerência;
Aprovar medidas preventivas, normas provisórias, áreas de desenvolvimento urbano prioritário e planos municipais de ordenamento do território;
Aprovar empréstimos, nos termos da lei;
Aprovar os quadros de pessoal dos diferentes serviços do município e fixar nos termos da lei, o regime jurídico e a remuneração dos seus funcionários;
Autorizar a Câmara Municipal a adquirir, alienar ou onerar bens imóveis de valor superior ao imposto pela lei;
Estabelecer taxas municipais e fixar os respectivos quantitativos;
Deliberar quanto a criação de derramas destinadas à obtenção de fundos para a execução de melhoramentos urgentes.
Após ser empossada para um segundo mandato à frente dos destinos da autarquia, Isaura Pedro fez questão de fazer um curto balanço desde que assumiu pela primeira vez a presidência da Câmara, em 2005, considerando-o um mandato “com uma orientação que se revelou correcta e eficiente”, como se verificou pelo “reforço da nossa maioria”, com o povo a responder com “sabedoria e clarividência “ a toda uma campanha movida pela coligação, sublinhando que o “partido mais votado da oposição teve menos de metade dos votos que a nossa coligação”. Ainda assim, a autarca agora reeleita fez questão de enfatizar que “respeitaremos o legítimo direito da oposição ao contraditório político, à informação e a todos os restantes direitos consignados na Constituição e na lei, mas não permitiremos que os mesmos sirvam para protelar, atrasar ou comprometer projectos que foram aprovados pelo eleitorado”. Reafirmando que, para o executivo que lidera, “as freguesias são tratadas todas por igual”, Isaura Pedro reforçou a ideia de querer continuar a colocar em prática uma política de “verdadeira cooperação e proximidade” e deixou ainda alguns recados ao governo, nomeadamente em relação à concretização de alguns projectos como “o IC12 e o IC37, que não têm passado de vãs promessas”, assim como apelou a que “o QREN finalmente se execute com a eficácia desejada para que possamos concretizar os grandes investimentos que temos planeados, como sejam, a construção dos centros escolares, o museu do vinho, a ampliação do pavilhão municipal, a melhoria da rede de águas e saneamento, a melhoria da rede viária e a construção de habitação social”. O também reeleito presidente da Assembleia Municipal, José António Pereira, que acabou por ter 23 votos favoráveis, e mantém como secretários António Liberato e Manuel dos Santos, definiu como grande objectivo para o seu mandato “a promoção da melhoria da qualidade do trabalho desta Assembleia”.
A coligação PSD/CDS-PP poderá vir a ter 4 vereadores em permanência e Canas, após vários anos, volta a ter um vereador
A primeira reunião ordinária da recém-empossada Câmara Municipal teve lugar no passado dia 27 de Outubro e serviu essencialmente para a nomeação por parte da Presidente da Câmara, Isaura Pedro, do seu vice-presidente, que a substituirá em casa de ausência ou impedimento, assim como para a atribuição dos vereadores que ficam no executivo em regime de permanência.
Ficou desde já decidido que as reuniões ordinárias da Câmara Municipal, continuarão a ser realizadas nas segundas e últimas terças-feiras de cada mês, sendo todas elas abertas ao público, mas que apenas poderá intervir na última reunião de cada mês. Isaura Pedro defendeu mesmo que todas devem ser abertas ao público pois “nada temos a esconder”. A autarca reeleita procedeu de seguida à nomeação do seu vice-presidente. A sua escolha recaiu sobre o vereador do CDS/PP, Manuel Marques. Já em relação aos vereadores que ficam no executivo em regime de permanência, a presidente da Câmara decidiu fixar 4 lugares, sendo apenas para já apenas dois deles preenchidos – Manuel Marques e Osvaldo Seixas (PSD). Os outros dois vereadores da coligação PSD/CDS-PP, poderão no curto prazo vir também a assumir pelouros e ficar assim em regime de permanência – Maria Antónia (PSD) e Jorge David Paiva (CDS/PP). Os pelouros ficam então, para já, assim distribuídos :
Isaura Pedro :
Supervisão de todos os serviços municipais
Saúde
Acção Social
Habitação
Recursos Humanos
Manuel Marques :
Assuntos jurídicos
Equipamento rural e urbano
Energia
Água e saneamento básico
Ordenamento do território e urbanismo

Osvaldo Seixas :
Património, cultura e ciência
Tempos livres e desporto
Cooperação externa e relações públicas
Educação e juventude
Defesa do consumidor
Departamento administrativo e financeiro
Os vereadores do PS, Adelino Amaral e o estreante Canense Hélder Ambrósio, votaram contra a proposta do executivo de atribuir 4 lugares na vereação em regime de permanência, tendo em declaração de voto mencionado os motivos desse sentido de voto, nomeadamente “o facto de nos parecer exagerado este número, dada a época difícil em que vivemos, devendo as instituições dar sinais de contenção”. Também em relação à delegação de diversas competências na presidente da autarquia, como está previsto na lei, os vereadores do PS votaram contra por entenderem que “está em causa uma questão de transparência, embora tenha vantagens operacionais”. Uma das áreas mais sensíveis nesta matéria, é a possibilidade da presidente da autarquia poder fazer alterações pontuais ao orçamento, sem que tenham que ser trazidas a reunião de Câmara. Osvaldo Seixas, vereador com o pelouro das finanças, deu-nos conta que seria impensável não ter estas competências delegadas, pois “teríamos que ter reuniões de Câmara com muito maior frequência, o que afectaria o normal funcionamento da autarquia e dos seus serviços”. Manuel Marques acabou entretanto por criticar a posição assumida pelos vereadores do PS, acusando mesmo Adelino Amaral de “em 2001 ter votado a favor da delegação de competências e agora parece não ter compreendido a vontade do povo”.

“Na sua grande maioria, os professores são competentes, honestos e responsáveis, não sendo os culpados dos males da educação”


António Borges dos Santos, director executivo da Escola Secundária de Nelas, dá-nos conta das expectativas positivas com o novo elenco governativo, e fala-nos da classificação atribuída à secundária de Nelas e do ensino profissional, que tem vindo a ser promovido pela instituição de ensino que dirige.


Como está a decorrer a abertura de mais um ano lectivo ?

A abertura do ano lectivo está a decorrer dentro da normalidade. Este ano houve concurso de professores, o que provocou algumas mudanças, mas os novos colegas já começam a integrar-se sem grandes problemas.


A vossa escola ficou na parte final da tabela (403º lugar em 504 analisadas) no ranking nacional da SIC/Expresso, cujo critério são as avaliações. A que factores atribui esta classificação?


Os factores são vários, desde a forma como os rankings são elaborados até às políticas educativas de cada escola. Se uma escola tiver como objectivo diplomar com o ensino secundário o maior número de alunos no menor número de anos, como é o caso da nossa, admite a exame alunos que, embora reúnam condições para concluir a disciplina, não oferecem à partida garantia de notas muito elevadas, prejudicando o lugar da escola no ranking. Se outra escola admitir a exame apenas os alunos que garantam boas notas, os não admitidos passam a externos e funcionam como se nunca tivessem sido alunos da escola, pois não são considerados no ranking. O lugar no ranking melhora mas a conclusão do ensino secundário pelos alunos matriculados, não. Nós, de forma assumida, continuamos a privilegiar a hipótese de conclusão do ensino secundário pelos nossos alunos, aos lugares nos rankings. É posição assumida pelo Conselho Pedagógico que todos os alunos que reunirem as condições mínimas devem ser admitidos a exame, independentemente de darem garantias de notas elevadas. Encaramos com a mesma naturalidade o 403º lugar obtido nos exames dos 11º e 12º anos, como 65º lugar obtido nos exames do 9º ano, entre 1304 escolas a nível nacional e o 1º lugar de entre as escolas públicas do distrito de Viseu, ranking também publicado na mesma semana. Os rankings têm o valor que têm, pois limitam-se a fazer uma seriação de escolas através das médias obtidas nuns tantos exames de outras tantas disciplinas que, ainda por cima, não são as mesmas para todas as escolas, para não falar do número de alunos analisados.


A vossa aposta no ensino profissional, nomeadamente nos cursos CEF, tem estado a ter resultados, ao nível de ir ao encontro das necessidades do mercado de trabalho do concelho, e ao nível da empregabilidade subsequente?


A nossa aposta nos cursos CEF e profissionais, tem dois objectivos bem definidos. Um deles é ir ao encontro das necessidades do mercado de trabalho no concelho e o outro é dar aos nossos alunos com expectativas baixas da escola teórica, que pouco ou nada lhes diz, uma nova oportunidade de concluírem os seus estudos de uma forma mais prática, mais objectiva e mais virada para o mercado do trabalho. Os alunos ao concluírem um curso CEF, são certificados com o 9º ano e com uma certificação profissional de nível 2, que lhes permite ingressar de imediato no mercado de trabalho. Os que pretendem prosseguir estudos, e são muitos, ingressam nos cursos profissionais, sendo depois certificados com o 12º ano e uma certificação profissional de nível 3. Têm novamente duas hipóteses, ingressar no mercado de trabalho ou prosseguir estudos de nível superior. Temos assim um ensino mais prático e organizado em vários patamares de saída, de acordo com os interesses de cada aluno. No que diz respeito à empregabilidade subsequente, apraz-nos registar que todos os alunos que optaram por ingressar no mercado de trabalho, conseguiram emprego na área, muitas vezes nas próprias empresas onde realizaram os estágios. Nos cursos profissionais, em que o estágio é feito em dois anos, aconteceu em alguns casos, os alunos terem sido convidados pelas empresas a prolongarem a permanência na mesma para além do período de estágio.


Quais os cursos que têm tido maior procura e mais saída profissional?


Numa perspectiva local, apostámos nos cursos CEF e Profissionais de Electricidade e Energia e de Hotelaria e, a nível mais regional, no profissional de Design Gráfico. A procura tem sido boa, tanto pelos nossos alunos, como por alunos de outras escolas, tanto do concelho como de fora. Os cursos que têm tido mais saída profissional são os CEF de Serviço de Mesa e Electricista de Instalações. Relativamente aos Cursos Profissionais, ainda estão em fase de conclusão, mas há boas expectativas relativamente ao Profissional de Técnico de Instalações Eléctricas.


O que espera do novo governo em matéria de avaliação dos professores e estatuto da carreira docente?


Espero, antes de mais, a pacificação da escola. A anterior Ministra começou por tomar medidas que considero positivas pois, ainda que com alguma contestação, conseguiu colocar os professores e os alunos a tempo inteiro na escola. Os alunos e os professores entenderam e aceitaram essas mudanças e pode-se dizer que a escola até estava a funcionar melhor. Porém, os dois últimos anos, com a revisão do estatuto e o processo de avaliação, impostos de cima para baixo quase sem direito a negociação, foram extremamente desgastantes e pouco dignificantes para os professores. O anterior governo fez passar para a opinião pública uma imagem dos professores que não é, nem de perto nem de longe, a real. Na sua grande maioria, os professores são competentes, honestos e responsáveis, não sendo os culpados dos males da educação, como quiseram fazer crer. É frustrante ver professores que dedicaram toda a sua vida ao ensino com dedicação e competência, socorrerem-se de uma aposentação antecipada, não só por não concordarem com as medidas que têm sido tomadas, mas também por não aguentarem a pressão a que temos sido sujeitos. Do novo governo, espera-se uma postura séria, que permita negociar uma verdadeira revisão do estatuto, que não prejudique mais de dois terços dos professores com uma divisão artificial da carreira e uma avaliação menos burocrática, mais justa e aceite pelas partes, em vez daquela que nos foi imposta e rejeitada por toda uma classe. No fundo, uma avaliação que permita aos professores serem professores a tempo inteiro, tendo como principal preocupação os alunos e as suas aprendizagens, em vez da sua própria avaliação, que nos últimos anos ocupou demasiado tempo e energias, sem vantagens para ninguém.

Macomax e Statusnivel são assaltadas e larápios conseguem “escapar”


Um onda de assaltos varreu o concelho, entre os dias 9 e 11 de Outubro. Os alvos foram a oficina Statusnivel, situada à saída da vila, em direcção a Canas de Senhorim e o armazém de materiais de construção, Macomax, situado na rua da estação.
Entrando na oficina pelo portão frontal, sem qualquer arrombamento, os assaltantes levaram material no valor estimado de 3 mil euros, entre auto rádios, peças diversas e ferramentas. Já na Macomax, o roubo rendeu mais – cerca de 10 mil euros. Foi no dia 9 de Outubro, cerca da 1h30m da madrugada, quando os vizinhos que moram no prédio onde no rés do chão se situa o armazém de materiais de construção, ouviram um ruído estrondoso. Os 3 indivíduos partiam a montra com um martelo, conseguindo desta forma entrar dentro da loja e mesmo com o alarme a soar e os vizinhos na varanda, não se sentiram intimidados e em poucos minutos levaram material no valor aproximado de 10 mil euros – ferramentas e máquinas diversas, de marcas conceituadas. A vizinhança chegou mesmo a lançar cadeiras e vasos, na tentativa de evitar o assalto, mas tal acção não assustou os ladrões, que impávidos e serenos lá foram carregando o material para uma carrinha Fiat Fiorino branca, ao que apurámos com matrícula falsa (pertencente a um citroen AX de Braga). Dada a ligação directa do alarme ao posto da GNR de Nelas, com grande rapidez se deslocou ao local um carro patrulha, que quase se ia cruzando com a viatura dos assaltantes. Os agentes policiais ainda tentaram perseguir a carrinha dos assaltantes, mas sem sucesso. Ao local dirigiu-se ainda uma brigada do Núcleo de Investigação Criminal da Polícia Judiciária, que recolheu vestígios, nomeadamente impressões digitais. Esta foi a primeira vez que a Macomax foi assaltada, sendo que os 3 indivíduos conheceriam bem o local.

Desemprego no concelho sobe 10% entre Setembro de 2008 e Setembro de 2009

- São agora 759 os desempregados no concelho – um acréscimo de 67 num ano

Setembro foi um mês recorde, em termos de desemprego em Portugal. Um sinal de que as previsões que apontam para taxas de desemprego na ordem dos 11% em 2010 poderão concretizar-se, com alguns economistas a preverem mesmo que no prazo de 2 anos poderemos vir a registar em Portugal um número recorde de 700 mil desempregados. Além do recorde de 510.356 desempregados registados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), nunca como em Setembro tantas pessoas acorreram aos centros de emprego.
Numa análise detalhada da evolução daquele que é considerado o maior flagelo social numa economia, em relação ao concelho de Nelas verificamos a continuação da tendência de subida sustentada do nível de desemprego, estimando-se que afecte 13,6% da população activa (partindo do censo de 2001, com um total de 5 582 pessoas em idade activa), ou seja bem acima da média nacional. O encerramento de diversas empresas e a redução dos custos, imposta pela crise, com o consequente despedimento de largas centenas de trabalhadores, têm sido decisivos para explicar esta realidade num concelho com um elevado índice de industrialização. Lembramos os despedimentos que demos conta no nosso jornal, na Lusofinsa e Faurecia, por exemplo. Em termos de sexo, continua a tendência de uma maior prevalência no sexo feminino, embora a encurtar-se essa diferença, dado que o aumento registou-se todo no sexo masculino, enquanto no sexo feminino houve até uma redução - 329 homens e 430 mulheres em Setembro de 2009, enquanto em Setembro de 2008 eram 224 homens e 468 mulheres. No que diz respeito aos escalões etários, continua a verificar-se uma maior incidência do desemprego na idade compreendida entre os 25 e os 54 anos – 503 pessoas em 2009 e 492 pessoas em 2008, ou seja, cerca de dois terços do total dos desempregados situam-se neste intervalo de idades.
De referir que em relação a Agosto de 2009, se verificou uma ligeira redução no número total de desempregados, mais precisamente 7, ou seja, parece que a tendência é de estabilização e até ligeira diminuição.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Estrada da morte tira a vida à vereadora Natália Coelho


- Acidente trágico na E.N. 231 em Oliveira de Barreiros vitimou a mandatária de Isaura Pedro e vereadora do PS, Natália Coelho e Maria Clara Moreira, empresária da Agronelas
Óleo e combustível derramados na estrada e um piso molhado pelas primeiras chuvas, parecem ter estado na origem do despiste do Renault Clio, em Oliveira de Barreiros, na E.N. 231 - sentido Viseu-Nelas, onde circulavam Natália Coelho (45 anos) e Clara Moreira (52 anos). Eram cerca das 12h30m, do passado dia 8, quando numa das curvas acentuadas deste troço, onde têm acontecido muitos acidentes mortais (não muito longe deste local morreram no ano passado a provedora da Santar Casa de Santar, Lucília Paiva e o marido Marcelino Paiva), o carro acabou por deslizar e embater frontalmente num camião que transportava areia e pedra, e circulava em sentido contrário. A viatura ficou completamente destruída e as ocupantes tiveram morte imediata, enquanto o condutor do veículo pesado – José Matos, de 30 anos, saiu ileso e terá tentado ainda, sem sucesso, desviar-se do ligeiro, tendo entrado em estado de “pânico” após o acidente. Deslocaram-se ao local nove bombeiros e quatro viaturas, que encontraram um cenário “dantesco”, com as vítimas esmagadas na chapa, o que fez com que se tivesse que recorrer a uma grua para levantar o pesado de mercadorias, para se poder proceder ao desencarceramento do Renault Clio. Uma equipa de Núcleo de Investigação de Acidentes do Destacamento de Trânsito das GNR de Viseu está já a investigar as causas do acidente, tendo recolhido algumas amostras das gorduras que se encontram no piso.
Natália Coelho era uma das mais conceituadas advogadas de Nelas, ocupando actualmente o lugar de vereadora pelo Partido Socialista, mas sendo a mandatária de Isaura Pedro e candidata à Assembleia Municipal pela coligação PSD/CDS-PP. A sua intervenção cívica ia muito para além da política, pois sempre esteve ligada à maior colectividade do concelho – o ABC de Nelas, onde era actualmente vice-presidente do conselho fiscal. Por seu turno, a outra vítima mortal do acidente, era uma prima de Natália Coelho, a conhecida empresária da Agronelas, Clara Moreira, mãe do actual presidente da JSD de Nelas e reeleito deputado municipal, Pedro Moreira, sendo ainda membro da comissão de protecção de jovens e crianças de Nelas. O marido de Clara Moreira é proprietário de uma das maiores empresas avícolas do país – Norteaves, sedeada em Viseu. As duas vítimas eram naturais de Vale de Madeiros e ambas deixam dois filhos. A missa de corpo presente de ambas, teve lugar na igreja matriz de Nelas, no passado dia 9, perante milhares de pessoas, que deram assim o último adeus a duas Nelenses muito conhecidas e queridas pela comunidade. Clara Moreira foi a enterrar no cemitério do Folhadal, enquanto Natália Coelho foi sepultada Canas de Senhorim.
A Câmara Municipal de Nelas, em reunião extraordinária, decretou dois dias de luto municipal, dispensou o pessoal durante um dia, e colocou a bandeira a meia haste, ao mesmo tempo que todas as forças partidárias, concorrentes às autárquicas, decidiram suspender a campanha eleitoral.

Fernando Ruas quer rapidez na construção do IC37, que será alternativo à EN231
O presidente da Câmara de Viseu apelou entretanto à Estradas de Portugal SA a avançar rapidamente com a construção do IC37, entre Viseu e Seia, que será alternativo à EN231.A autarquia pretende, no prazo de um ano, ter requalificados os 2.750 metros da EN231 que são da sua responsabilidade, desde a rotunda do Palácio do Gelo até à rotunda de Teixas (por baixo da auto A25). A obra está orçada em 6,73 milhões de euros e pretende modernizar esta estrada, que é uma das entradas na cidade que tem mais movimento.No entanto, o presidente da autarquia, Fernando Ruas, lembrou aos jornalistas que continua por se concretizar o IC37, entre Viseu (IP5/A25) e Seia (IC7), passando por Nelas, que está integrado na rede rodoviária prevista para o redor da Serra da Estrela. “Já fui a reuniões com o actual secretário de Estado onde era feita toda a explanação de como seria a malha viária naquele 'interland' que vai daqui de Viseu até Oliveira do Hospital, Serra da Estrela, e não vemos nada avançar”, lamentou.Na opinião do autarca social-democrata, esta estrada, que terá quatro vias, “é fundamental para uma ligação moderna à Serra da Estrela”.Um despacho datado de 28 de Agosto de 2009, assinado pelos ministros das Finanças e das Obras Públicas, determina que a Estradas de Portugal «prepare e promova o lançamento, para ocorrer até ao final do primeiro semestre de 2010, dos concursos públicos internacionais» para várias concessões, nomeadamente a da Serra da Estrela, que integra diversos itinerários, entre eles o IC37 entre Viseu e Seia.

Coligação PSD/CDS-PP esmaga oposição, elegendo 5 vereadores e deixando o PS a quase 3 mil votos de diferença




Foi uma noite memorável para a coligação PSD/CDS-PP. Conseguindo reduzir a sua oposição a uma clara minoria, em termos de representatividade nos vários órgãos autárquicos do concelho, foi a primeira vez na história da democracia em Nelas que uma força política ultrapassou os 5 mil votos e elegeu 5 vereadores. E nem o argumento da pulverização do eleitorado, com o aparecimento de várias listas poderá explicar o insucesso dos opositores da coligação, pois num cenário em que estivessem juntos, não conseguiriam fugir a essa situação de minoria. Parece assim claro que a estratégia prosseguida pelo PSD e CDS-PP revelou-se a mais eficaz, atingindo um nível de popularidade e aprovação históricos, não se tendo verificado nenhum dos cenários possíveis de que tanto se falava – a dificuldade em se manter a diferença de 2005 em Canas (777 votos), a penetração do PPM no eleitorado da coligação e o peso do ex presidente, José Correia, que acabou por sair desta eleição como um dos grandes derrotados, com um resultado inexpressivo, não chegando a eleger um vereador. Mas o grande derrotado da noite, foi sem dúvida o Partido Socialista, e o seu líder Adelino Amaral, que apostando numa campanha altamente mediática e inovadora em todo o concelho (que mereceu até uma visita de Pacheco Pereira), não conseguiu traduzir em votos esse esforço, ficando a 2 940 votos da coligação, com uma diferença percentual de quase 33% a nível do concelho e 45% em Canas, que continua assim a penalizar fortemente o PS. Luís Pinheiro acabou por ser o outro grande vencedor da noite eleitoral, reforçando a sua votação face a 2005 e mesmo com o aparecimento da candidatura independente CIM (que ainda assim obteve um excelente resultado com cerca de 27% dos votos e 3 mandatos – bem à frente do PS, que se ficou por um mandato e apenas 15% dos votos), e com todos os problemas que enfrentou com a sua equipa durante este mandato, obteve a maioria absoluta na Junta e contribuiu para a votação avassaladora da coligação para a Câmara e Assembleia Municipal, na sua freguesia.
Como nota de grande destaque, de referir a recondução dos actuais presidentes de Junta que se recandidataram, não conseguindo o PS conquistar nenhuma presidência de Junta. Mesmo em Santar, onde se previa poder haver algum equilíbrio, acabou por se registar a maioria absoluta para o actual presidente, João Carlos Martins, que agora pela coligação obteve 5 dos 8 mandatos. Nelas, devido ao peso da lista de José Correia, foi a única freguesia (onde apresentou candidaturas) em que a coligação não obteve a maioria absoluta, elegendo 4 dos 9 mandatos. O excelente relacionamento entre os actuais presidentes de Junta e a coligação (que fomos dando conta através das entrevistas que efectuámos), parece ter sido assim um factor determinante neste acto eleitoral, que se saldou apenas por um novo presidente de Junta – precisamente António Figueiredo em Aguieira. Relativamente à Assembleia Municipal, verifica-se uma considerável renovação nas diversas bancadas, com o MPT a eleger o empresário Eurico Amaral e o antigo chefe das finanças, Manuel Borges, enquanto o PPM elegeu a professora universitária Maria José Correia. O engenheiro e professor, José António Pereira, deverá manter-se na presidência deste órgão. Na próxima edição do nosso jornal, daremos conta da lista completa dos eleitos.

PS fala em “pesadelo” e coligação é comedida nos festejos, devido ao trágico acidente que vitimou mortalmente Natália Coelho e Clara Moreira

O acto eleitoral do passado Domingo ficou marcado pelo acidente da passada Quinta Feira em Oliveira de Barreiros, que tirou a vida à mandatária de Isaura Pedro e vereadora do PS, Natália Coelho e à empresária Clara Moreira, mãe do reeleito deputado municipal do PSD, Pedro Moreira. Com todos os partidos políticos a suspenderem a campanha eleitoral nesse mesmo dia, a comemoração da vitória da coligação ficou assim envolta num clima de grande emoção e consternação, o que inviabilizou uma celebração mais efusiva. Isaura Pedro era o rosto do pesar pela perda da sua mandatária e uma das mais indefectíveis apoiantes nesta campanha, estando visivelmente emocionada, quando subiu as escadas dos Paços do Município para fazer um breve discurso de agradecimento aos seus apoiantes. A chegada dos vereadores eleitos, junto à sua sede de candidatura, foi festejada de forma entusiástica pelos milhares de apoiantes que os aguardavam, com o nº2 de Isaura Pedro, Manuel Marques, a ser dos mais eufóricos, não parando de dizer “não há memória”. Isaura Pedro, dirigiu algumas palavras para a imensa moldura humana que a rodeava, começando por dedicar inteiramente a vitória à sua mandatária, Natália Coelho, e a Clara Moreira, por “nos terem ajudado muito nesta grande vitória”. “Tivemos quatro anos muito difíceis, mas não nos desviámos do nosso objectivo principal – trabalhar para as pessoas”, referiu Isaura Pedro, que fez notar ainda que se considera “uma pessoa do povo, que gosta muito das pessoas”. A autarca, agora reeleita, fez questão de cumprimentar a oposição,desejando-lhes “felicidades”. Foi depois guardado um minuto de silêncio, em memória das vítimas do acidente.
Já na sede do PS o ambiente era de grande desilusão, sendo no entanto de destacar que grande parte do núcleo duro de Adelino Amaral, esteve solidário com o seu líder, na noite da derrota. Afluíram mesmo algumas dezenas de pessoas à sua sede de candidatura. O histórico militante socialista e candidato à Assembleia Municipal, Rui Neves, foi o primeiro a assumir a derrota, considerando-a mesmo um “autêntico pesadelo”. Elencando alguns dos motivos que, no seu entender, estiveram na base desta derrota expressiva, nomeadamente “a campanha suja que durante 2 a 3 anos, quer o MPT, quer o PPM, fizeram contra o Adelino Amaral”, ainda deu uma palavra de alento ao seu candidato, dizendo que “quando fui candidato em 1985 tive uma votação idêntica”. “Acabámos por demonstrar que a guerra que o Dr. José Correia nos moveu não deu em nada, pois não conseguiu sequer eleger um vereador”, acrescentou. “Resta-nos continuar o trabalho que começámos do nada, há cerca de 2 anos e meio, pois os resultados alcançam-se a prazo”, rematou. O cabeça de lista à Assembleia Municipal, Armando Carvalho, era também o rosto da desilusão, confidenciando-nos que “a nossa mensagem não passou”, mas acabando também por dirigir algumas palavras de ânimo a Adelino Amaral, pois “é nossa obrigação moral ajudá-lo nesta hora”, lançando-lhe ainda o repto para continuar na liderança do partido. Adelino Amaral, com um semblante carregado, assumiu pessoalmente a derrota, mostrando a sua “frustração” pela mesma, mas salientando os pontos positivos da campanha, afirmando que “conseguimos construir um grupo e fazer uma campanha limpa e inovadora”. O candidato socialista assumiu que a estratégia “falhou”, pois “as pessoas não aderiram ao nosso projecto e derrotaram esta forma de fazer política”.Olhando para o futuro, o líder do PS apontou para “4 anos muito difíceis, para mim e para o concelho”, mas assegurou desde já que assumirá o seu mandato de vereador, situação em que foi acompanhado pelo Canense Hélder Ambrósio. O líder local do PS, deixou ainda a porta aberta, para uma recandidatura à liderança do partido, nas próximas eleições internas, que se irão realizar em Março ou Abril do próximo ano, prometendo “lutar por um partido mais forte”.

Polémico concurso para o IC12 entre Canas e Mangualde é novamente lançado

A Estradas de Portugal (EP) acaba de relançar o concurso para a concessão das Auto-estradas do Centro, que inclui o troço do IC12 entre Canas de Senhorim e Mangualde. Esta obra foi uma dos temas da campanha, e esteve envolta em polémica entre José Sócrates e a oposição..A controvérsia levou a empresa presidida por Almerindo Marques a suspender o processo, retomando-o agora a menos de uma semana após o sufrágio que ditou uma nova vitória do Partido Socialista. Em conferência de imprensa, os deputados do PS eleitos pelo círculo de Viseu mostraram-se muito satisfeitos com a publicação do concurso em Diário de República. José Junqueiro explicou que "apenas oito dias depois da vitória nas Legislativas, o Governo cumpre a promessa feita aos viseenses", garantindo que "em 2010 haverá obra no terreno, mesmo contando com o período de discussão pública". O também líder da Federação Distrital adiantou que se trata de um concurso internacional, cujo prazo de entrega de propostas termina dentro de pouco mais de um mês, mais concretamente, no dia 16 de Novembro, pelas 17h00. Acrescentou ainda que as regras do novo concurso evitam que se verifique uma situação como aquela que se registou no primeiro concurso em que as propostas quase que duplicavam o valor base."Trata-se de uma boa notícia para a região, para Viseu, para Mangualde e todos os outros municípios abrangidos pelo corredor da nova ligação", concluiu José Junqueiro, sublinhando que a obra não teria avançado caso o PSD tivesse ganho as eleições do passado dia 27 de Setembro.